quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Demoras

Ando a preparar umas coisas.
Tenho andado a escrever. Sobretudo as noites, numa absurda e estranha compilação chamada Ash(es). De cinzas. De ash.

Tenho andado em descoberta. Em revelação.

Descobri.
E agora estou a vivê-lo.

Cheguei aqui, por fim. Estou pronta.

Um especial obrigada ao amigo PS, que me levou a sítios maravilhosos este fim de semana e me mostrou os maravilhosos sítios que tenho dentro de mim. If I only learn to let them show.


domingo, 11 de maio de 2008

Everlong


Hello
I've waited here for you

Everlong

Tonight

I throw myself into

And out of the red, out of her head she sang

Come down

And waste away with me

Down with me

Slow how

You wanted it to be

I'm over my head, out of her head she sang

And I wonder

When I sing along with you

If everything could ever feel this real forever

If anything could ever be this good again

The only thing I'll ever ask of you

You've got to promise not to stop when I say when

She sang

Breathe out

So I could breathe you in

Hold you in

And now
I know you've always been
Out of your head, out of my head I sang

And I wonder

When I sing along with you

If everything could ever feel this real forever

If anything could ever be this good again

The only thing I'll ever ask of you

You've got to promise not to stop when I say when

She sang

And I wonder
If everything could ever feel this real forever
If anything could ever be this good again

The only thing I'll ever ask of you

You've got to promise not to stop when I say when

She sang


(FooFighters)

quarta-feira, 19 de março de 2008

E então???


Diz que sim, que pode provocar infecções.
Parece que pode causar a perda de sensibilidade das papilas gustativas.

E depois????

Eu que até nem sou de politiquices no meu blog, sou obrigada a manifestar-me com a mais recente invenção dos nossos governantes (aka as alcoviteiras desta república dos gajos que comem bananas e fingem que não). E não é que os camelos enviaram para a AR um pedido para que sejam proibídos os piercings e tatuagens em todos os menores de 18 anos e a proibição a todo e qualquer cidadão de fazer um piercing na língua.
Que se coloquem restrições aos menores, ainda vá. Mas quem faz uma coisa destas não está com certeza informado de que nesses antros de pecado onde se furam e espetam agulhas nas pessoas (que até são obrigadas a lá ir, vejam bem...) não se fazem piercings ou tatuagens a menores sem uma autorização assinada pelos pais e na presença deles. Para além do mais, mesmo os adultos assinam um termo de responsabilidade em que se capacitam do que estão a fazer.
Mas isto não chega, claro. Porque um camelo qualquer foi assobiado por pessoas com piercings e sabe-se lá mais o quê. Que esta gente mete-se na droga ou pior ainda. Isso das tatuagens e dos piercings é coisa do demónio...
E eu gostava de saber quem é o urso que me vem cá arrancar do nariz um piercing que eu fiz (e paguei por isso, vejam bem) consciente, sóbria e em plena capacidade de todas as minhas faculdades mentais. Sim, foi um acto de rebeldia, mas ponderado e responsável. E de mim só eu sei e não admito que me digam que lá por ter um furo no nariz seja menos que alguém.
Cretinos!!!

Isto dá que pensar neste país, sem dúvida. Comer e calar, e aguentar com as alcoviteiras que opinam sobre as decisões que as pessoas podem tomar.
Esperem lá, mas eu lembro-me de ter estudado uma revolta qualquer na escola, que metia cravos e foi em Abril de 1974...Terá acontecido mesmo em Portugal? É que essa malta tinha-os no sítio! E a eles ninguém os calou.



domingo, 16 de março de 2008

Uma noite perfeita



Porque há momentos em que temos exactamente tudo aquilo que queríamos.
Uma praia linda, estrelas cadentes, essa baía renegada durante tanto tempo, um fogo reconfortante e aqueles amigos com quem se vivem aventuras fantásticas. Apesar do percalço, que tardou a resolver-se, nenhum de nós ia querer que fosse de outra maneira. Obrigada a todos!
Tim, seu desgraçado... que nos fizeste chorar a todos! :)
Há laços, mesmo que recentes, que nunca se vão quebrar.

Deixa-me feliz



Vês passar o barco
Rumando p’ró o sul
Brincando na proa
Gostavas de estar

Voa lá no alto
Por cima de ti
Um grande falcão
És o rei és feliz

E quando tu
Vês o Mississipi
Tu saltas pela ponte
E voas com a mente

Nuvens de tormentas
Estão sobre ti
Corre agora corre
E te esconderás
Entre aquelas plantas
Ou te molharás

E sonharás
Que és um pirata
tu... sobre uma fragata
tu... sempre à frente de um bom grupo
De raparigas e rapazes

Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer
Junto ao rio a passear, Tom Sawyer
Mil amigos deixarás, aqui e além
Descobrir o mundo, viver aventuras

quinta-feira, 13 de março de 2008

Happy Hour


Descobri porque é que os ingleses chamam Happy Hour àquela hora quando saem do trabalho e vão beber umas cervejas.
Mesmo em pequenas quantidades, insuficientes para causar uma bebedeira, a cerveja depois do trabalho deixa-nos descontraídos, alegres e bem dispostos. Apesar do efeito diurético que caracteriza esta bebida, a verdade é que se for bebida com moderação pode ter efeitos fantásticos no humor.
Há coisas fantásticas, não há? Já diz a malta lá no trabalho.
Pois, para mim, fantástico, mesmo fantástico, é sair às nove e chegar a casa à uma e meia com as endorfinas na lua.
E viva a Happy Hour. E viva a Happy me!!!
:D


Em caso de persistência dos sintomas, consulte o seu médico, farmacêutico, barman, ou quem sabe outro alguém de bata branca...


quarta-feira, 12 de março de 2008

Meia bola e força!


O manual de que todas as noivas precisam? Aqui da amiga a organizar as festas, pois claro! PR on the job!!
Parabéns!!!!!
Estou tão feliz com a notícia!!
E vou já começar com as diligências de amiga em pulgas! Vá, deixa lá o homem em casa e passamos um fim-de-semana com revistas para escolhermos os modelitos e passarmos a noite à conversa, entre bolachas, leite e recortes de farrapos brancos. E há as flores, e os convites, e os menus, e a viagem, e os presentes, as listas, enfim... Tudo aquilo a que tens direito e em grande estilo!
E da despedida cuido eu!!! Mas nada de gorilas em tanga, prometo!
Tudo só e exclusivamente para a princesa do ano!
Adoro-te!

Nada mal para um café...


E depois há fins de dias assim...
A malta sai do trabalho, cansada, mas com vontade de saborear um belo de um café. E acaba por ficar para duas cervejas e um prato de amendoins. Simples, sem rodeios, descomprometido. Porque até podia ser estranho, mas era mesmo o que apetecia. E não foi nada mal para um café. :)
Soube-me bem esse final de dia.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Um intervalo feliz


E falo português!
E essa linguagem também! :)

4 luas



E uma passou.
É que eu agora conto-as.
Quando a noite chega, o Peter Pan assalta-me os sonhos e voo de novo.
De manhã ficam na almofada os restos de pó dourado e de pensamentos felizes.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Ausência



Num deserto sem água
Numa noite sem lua

Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero

Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.


(Sophia de Mello Breyner Andersen)


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

E o beijo da semana vai para...


... Excelentíssimo senhor Enginheiro Guerreiro!!!
Parabéns, Faísca!!!!

Regresso ao activo

Pronto, pronto.
Depois de muitos e-mails a pedir o meu regresso, a implorar novidades, depois de todos os telefonemas a perguntar o que se passa, estou de volta.
Diz a Alada que o silêncio assusta as pessoas e talvez por isso a preocupação geral em saber porque nunca mais escrevi. Acontece que o silêncio não me assusta a mim e tem sido meu amigo e uma necessidade.
Mas estou de volta. Sosseguem.
E publicarei os últimos capítulos desta nova história que está escrita há muito tempo.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Verde Seco

"Como se tivesse sido sempre assim e como se fosse para sempre assim."

Sem antes nem depois. Sem "se" nem "mas". Sem questões. Porque sim!! (E foi isso que me disseste que me fez decidir, ali entre as árvores do parque, o sol e tu).

Estar.

Cheios de tudo e cheios de nada. Num tempo e espaço sem tempo e espaço. Sem fronteiras nem limites.

Estar.

Em todo o pleno Ser de cada um de nós.

Baraka.

Entender a libertação de um perfeito estado de comunhão de duas almas selvagens, que sabem não questionar. Partilhar os fantasmas.
Agradecer a Benção de Estar. E viver questões a natureza de cada Ser.

Agora sim.
Não vou sentir saudade.
Não vou sentir a tua falta.

Vou sorrir. Estou grata. E feliz.
Porque a felicidade nada mais é do que a consciência de Estar, Sendo.

Obrigada.

Pelas plácidas cores das montanhas. E pelas outras...
Pelo Sol e pela Lua Cheia... ou nem tanto :)
Pela fogueira. E o calor no frio.
Pelos passeios e caminhos. E a vibrante quietude de ti.
Pelo espicaçar da procura do "Do".
Pelas noites. E as manhãs... (quem diria? Vitória nossa, segredo teu)
Pelas teorias desfeitas em farrapos de lençol.
Pelo cantinho aninhado entre o ombro e o braço. E por esse tão Teu abraço.
Pela mão.
Pela mão cheia de lágrimas de Sentir. Cura (um ser humano é o remédio de outro...).
Pelo cheiro das castanhas assadas, que sinto sempre perto de ti.
Pelas páginas reconfortantes de branco de uma história sem fim nem início.
Pelo Eu. Pelo Tu. Pelo Estar que os dois partilhámos numa cumplice descomplicação.
Pelo "Fanta Bourama" e tudo o que isso que me fará sempre Sentir (e sorrir).
Pelas imagens e sons. Pela música. E os acordes de Estar. Contigo.
Pelos melhores presentes de sempre. Imprevisíveis, etéreos, imateriais e inesquecíveis.
Pelas asas nas tuas mãos. (Não se vai chamar Agridoce, decidi há umas semanas.)

O teu magnífico sorriso de contemplação de coisas simples é Baraka. E eu descobri em mim a mesquita de cristal sagrada que ninguém visita.

E a tal foto? Também eu tenho agora uma imagem que não consigo reproduzir. Mas eu espero. E não me esqueço.
Vou ter-te Sempre em Terras do Nunca comigo. Em lugares de tudo e nada sem príncipio nem fim. Mas só porque gosto mais de ti do que do Johny Depp que só me deu negas esta semana. :)

Sem antes.
Sem depois.
Sem dúvidas.
Sem dúvida.

Até sempre, num qualquer tempo que voltará a ser sem tempo.





segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Revelação



Ser cativo da própria liberdade... Escolher ser cativo da própria liberdade.


Não me sai da cabeça. Nem consigo escrever mais nada.
Foi um sopro que se transforma devagar em tumultuoso furacão dentro de mim.
Que mais fazes? Voas? Adivinhas o futuro? Vês o passado? Quebras maldições?
Senti o vento, como a Vianne. É altura de partir. E mudar. Estou condenada a ser cativa de uma liberdade. A voar no limiar de uma espada. A sentir um gume frio que não corta nem fere.

Quatro - Desaparecimento

Conheci o Gonçalo numa noite de festa. E é assim que me lembro dele. Era o primeiro ano de faculdade. Apesar de não ser muito dada a ir às festas da faculdade, naquela noite fui. Depois do jantar, tomei, como sempre, o anti-histamínico para as inexplicáveis e estranhas alergias que tinha naquela altura. Despedi-me do Rogério e disse-lhe que não sabia a que horas voltava. Nessa altura já quase não nos falávamos.
Cheguei à discoteca e fui ao bar pedir uma vodka com limão. Eu e uma amiga subimos ao primeiro andar para dançar um pouco e, quando acabei de beber disse-lhe que ia à casa de banho. Estava a sentir-me mal e não consegui perceber porquê.
Na casa de banho, molhei a cara e quando me vi ao espelho, percebi que estava tudo desfocado. Comecei a sentir-me mesmo mal e decidi ir ao andar de cima avisar a minha amiga.
A discoteca tinha uma escadaria enorme e estava cheia de gente. Comecei a cambalear e lembro-me apenas de me deixar cair para trás.
Quando abri os olhos estava um rapaz muito bonito a olhar para mim com um ar preocupado.
- Estás bem?
Não sei se lhe respondi.
- Ias caindo da escada abaixo. Queres que chame alguém?
- Eu estou com uma amiga, mas perdi-me dela. Não sei o que se passa. Só bebi uma vodka, mas estou mesmo mal disposta. Parece que bebi dez.
- A tua amiga está cá em cima?
- Acho que sim.
- Então eu ajudo-te a procurá-la. Queres ir ao hospital?
- Não, não. Quero ir embora. Olha, a minha amiga está ali. Vou ter com ela. Obrigada.
Fui ter com a minha amiga e desculpei-me com ela mas pedi-lhe para me levar a casa. Estava a sentir-me mesmo mal. Quando estava a sair da pista de dança, o rapaz veio ter comigo.
- Olha, fiquei mesmo preocupado contigo. Até estavas a revirar os olhos. Dá-me o teu número de telefone para eu te ligar amanhã. Para saber se estás bem.
Deitei-lhe um ar desconfiado.
- Está bem, pronto. Então eu dou-te o meu número. Mas por favor manda-me uma mensagem. Fiquei mesmo preocupado. Sou o Gonçalo.
- Sou a Maria.
Meti o papel dentro do bolso das calças e desci com a minha amiga.
Fui todo o caminho para casa com a cabeça do lado de fora da janela. Quando cheguei a casa, ainda mal disposta, fui a correr para a casa de banho. Vomitei até cair de joelhos no chão da casa de banho. Por fim, consegui arrastar-me até à sala e sentei-me no sofá. Não queria acordar o Rogério, senão ainda tinha de aguentar uma discussão.
Olhei para a mesa da sala e percebi a causa da minha indisposição. Os anti-histamínicos. Não devia ter bebido. Nem uma gota.
Tirei a roupa e do bolso das calças caiu um papel. Lembrei-me o que era e peguei no telefone.

“Olá. Já cheguei a casa. Estou melhor. Obrigada pela tua ajuda. Um beijinho. Maria.”

Pronto. Cumpri com a promessa e mandei uma mensagem ao Gonçalo. Foi bastante simpático o rapaz. Se não fosse ele tinha caído da escada abaixo…
No dia seguinte tive de ouvir o Rogério a refilar por causa da minha noitada. Que devia ter chegado a casa num belo estado para ter espalhado a roupa pela sala e ter adormecido no sofá. Ignorei-o. Até porque não me apetecia explicar-lhe o que tinha acontecido.
No fim desse dia recebi uma mensagem do Gonçalo.

“Olá Maria. Estás melhor? Obrigada por teres mandado a mensagem a dizer que tinhas chegado a casa. Fiquei mesmo preocupado. O que te aconteceu?”

Respondi-lhe e por uns dias esqueci o assunto.
Um dia, durante uma aula recebi uma mensagem dele a perguntar onde eu estava e se queria lanchar. Disse-lhe que podia ser e onde era a minha faculdade. Quando saí das aulas o Gonçalo estava à minha espera. E fomos lanchar. Conversámos bastante sobre cada um de nós e lembro-me distintamente de lhe ter dito que tinha namorado. Mas isso não pareceu afectar o Gonçalo. No fim do lanche, ele acompanhou-me a casa.
- Quando te vejo de novo?
- Não sei Gonçalo. Mas podemos lanchar de novo um destes dias.
- Então eu depois telefono-te. Mas para a próxima vais ter à minha faculdade.
E assim foi. No fim dessa semana fui ter com o Gonçalo à faculdade dele e fomos dar um passeio. Andámos de eléctrico, comemos os famosos pastéis, passeamos à beira-rio. A conversa parecia não se esgotar. E apesar de contrariar o caminho dele, o Gonçalo acompanhou-me a casa de novo.
Na semana seguinte, o Gonçalo foi de novo ter comigo à faculdade. E no dia a seguir. E nos próximos. E, de repente, todos os dias o Gonçalo me ia esperar à porta da sala para irmos lanchar. Dávamos passeios ao fim do dia e depois ele acompanhava-me a casa.
Um dia deu-me uma folha A4 dobrada em três, com um desenho. Desdobrei-a e vi uma foto dele. Atrás da foto tinha escrito:

“Maria, não há palavras para isto. Já sabes o que sinto por ti…”

Receando um avanço do Gonçalo, voltei a dizer-lhe:
- Mas Gonçalo, tu sabes que eu tenho namorado. Gosto muito de ti e de estar contigo. E deixas-me confusa em relação aos meus sentimentos. Mas eu tenho namorado. Eu não posso deixar o Rogério.
- Se estás confusa é porque não é com ele que tens de estar.
Fiquei sem resposta. Mas ignorei o aviso. E esperei que passasse.

Uns dias mais tarde, estava em casa com o Rogério, à noite e o meu telefone tocou. Era uma mensagem do Gonçalo:
“Estou cá em baixo. À tua porta. Desce. Preciso de te ver.”

- Vou comprar cigarros. Venho já.
- Agora Maria?
- Sim. Venho já.
Desci as escadas de par em par e corri para os braços estendidos do Gonçalo.
- Desculpa, mas tive saudades tuas.
- Tu és louco. O Rogério está lá em cima. Acha que eu vim comprar cigarros.
- E vais. Mas de caminho bebes um sumo comigo.
Quando cheguei a casa o Rogério já estava deitado.
- Não havia cigarros em Lisboa? Onde foste a esta hora, Maria?
- Ali ao café da rua de trás. Estava lá a vizinha ali do prédio da frente e fiquei para beber um café.
Era a primeira vez que mentia ao Rogério. Mas não queria partilhar com ele o que estava a acontecer. Apaixonei-me pelo Gonçalo. E não sabia que volta devia dar à história.
Continuei a encontrar-me com o Gonçalo, avisando-o de que estava errado encontrar-me com ele e que tinha de deixar de o ver. A resposta do Gonçalo era sempre a mesma. Mas as investidas acalmaram. O Gonçalo deixou de me ir buscar à faculdade e deixamos de nos ver. Uma semana depois, à noite, recebi uma mensagem do Gonçalo.

“Estou à tua porta. Desce. Deixa tudo. E fica comigo. Espero até às 11. Se não vieres, eu desisto e não te incomodo mais. Gosto de ti.”

Fiquei sentada no sofá, sem me mexer. Não tive coragem de ir à janela. Não me mexi durante a hora seguinte. Chorei baixinho durante essa hora. O Rogério nunca me perguntou o que se passava. Levantou-se e foi para a cama sem uma palavra. Nunca me perguntou nada. Às 11 e cinco recebi outra mensagem do Gonçalo.

“Não te esqueças que gosto muito de ti. Foi um prazer.”

E foi a última vez que tive notícias dele. Uns dias mais tarde, mais triste do que nunca, tentei ligar mas o telefone tinha sido desligado. Liguei para o irmão, que nunca atendeu as minhas chamadas. Passei dias inteiros à porta da faculdade dele. Nunca o vi. Nunca mais o encontrei.
Nos anos que se seguiram, lembrei-me do Gonçalo várias vezes, mas nunca me cruzei com ele. Nem uma única vez o vi num bar ou centro comercial. Imaginei tudo: que tivesse mudado de cidade, de país, que lhe tivesse acontecido alguma coisa… Cinco anos passaram desde essa última mensagem do Gonçalo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Três - A proposta

- Bem, Maria, finalmente consigo conversar contigo.
- António se queria falar comigo assim tão urgentemente, podíamos ter marcado mais cedo.
- Não é assim tão urgente. Temos tempo. Mas é importante.
- Não me deixe a morrer de curiosidade!
- Prova este pão, é divino. Acho que nos podemos começar a tratar por tu, não concordas?
- Por mim, tudo bem. Como preferir.
- Prefiro que me trates por tu.
- Está bem. Diz lá, então, o que é importante mas não urgente para além do pão.
- É melhor contar-te antes que te liguem e sejas apanhada de surpresa. Fui contactado pela sede, que vai lançar um livro com os melhores restaurantes de Lisboa.
- E?
- E que por alguma razão tens mau feitio, mas continuas a trabalhar connosco. Querem que sejas tu a escrever sobre os restaurantes. Ou seja, querem que sejas tu a escrever o livro.
- Eu?
- Sim, Maria. Tu. A ideia é ser um livro sobre restaurantes, em que cada restaurante disponibiliza a sua receita mais famosa. E vai ter também a colaboração de um enólogo, que vai recomendar um vinho para cada receita.
- Mas isso é excelente!
- Vai ser óptimo. Mas há condições. Vão propor-te exclusividade. Connosco.
- Exclusividade?
- Sim. Deixas de trabalhar como free-lancer e passas a trabalhar em exclusivo para nós.
- Mas porquê a promoção? Há um “mas”?
- Não sei, diz-me tu. Na próxima segunda-feira tens uma reunião comigo e com os directores da sede. Vamos mostrar-te o contrato e as nossas propostas. Tens o fim de semana para pensar nisso.


Quase pronta para sair de casa, ando de um lado para o outro entre o quarto e o closet a escolher sapatos e brincos. Oiço o telefone e vejo que é a Inês.
- Bruxa! Então?
- Maria, querida. Desculpa, mas estamos 10 minutos atrasados. A mesa está reservada em teu nome, por isso quando chegares é só sentar. E vê o que te parece bom.
- Ok. Sem problema. Até já!
Sempre a mil, esta Inês. Finalmente opto pelos brincos do costume e decido que me maquilho no caminho. Estou em pulgas para sair de casa. Pego no telefone, no bloco de apontamentos e na bolsa de maquilhagem e enfio tudo dentro da mala. Ao sair, olho de novo para o caderno que comprei no início da semana. Depois, penso, preocupo-me contigo. Hoje apetece-me mesmo é apreciar a companhia dos meus amigos e beber uns Mai-Tai.
Nos semáforos vou pondo lápis de olhos, máscara e gloss. Chego ao restaurante, como sempre, com 5 minutos de antecedência. Sou meticulosamente pontual e chego sempre mais cedo. Ainda tenho pela frente pelo menos 20 minutos de espera, que os 10 minutos da Inês e do João são sempre mais longos.
Uma senhora muito simpática recebe-me no lounge do restaurante e digo-lhe o meu nome. Ela pergunta-me se não prefiro tomar alguma coisa antes, no bar. Sim, claro, vou já começar a aquecer. Sento-me nos sofás do lounge bar, bastante parecidos com os meus. E lembro-me do caderno em cima da chaise-longue. Tenho de o mudar de sítio, senão qualquer dia não me consigo sentar no meu cantinho.
À porta aparece o Ricardo, sempre bem-disposto.
- Olá Maria! Estás sozinha?
- A Inês e o João estão atrasados, como sempre! E eu cheguei mais cedo, como é costume.
- O que é que estás a beber? Tem muito bom aspecto.
- Mai-Tai. É óptimo. Queres?
- Quero. Deixa-me provar.
- Então e como vai o emprego novo? Tudo bem? E a mudança para a casa nova? Se precisares de ajuda tu diz, que a malta pede umas pizzas, compra umas cervejitas e vai tudo para tua casa.
- Em princípio mudo no fim do mês. o emprego novo é fixe. Estou a gostar. E tu? novidades?
- Nada de mais. Trabalho e mais trabalho. Tive uma proposta interessante hoje. Fiquei de pensar no fim de semana.
- E é boa?
- É. Mas tenho de ver se me compensa. Estou inclinada para o sim. Bem, vou ligar à Sofia, que também deve estar atrasada.
Procuro o telefone no fundo da mala e vejo que tenho uma mensagem escrita do Miguel Esteves.

“Amanhã. Não te esqueças. Beijo :)”

Não pude deixar de sorrir.
- Está, Sofia? Então? Onde andas?
- Ai, querida, desculpa. Eu e o Manel estamos atrasados. Mais 10 minutos, sim? Estás sozinha?
- Não, felizmente o Ricardo também veio mais cedo.
- Ok. Então até já.
Volto a ver a mensagem do Miguel. Mas eu não me ia esquecer. Porquê a insistência?
- Bem, Ricardo, hoje atrasou-se tudo. Acho que nos podemos ir sentar e começar a escolher. Vou só fumar mais um cigarro.

- Olá, olá! Desculpem o atraso! Estás bem, querida? Querias contar-me alguma coisa? Já aqui estão há muito tempo?
- Olá! Já falamos.
As perguntas incessantes da Inês, àquela velocidade que lhe é característica, às vezes deixam-me zonza. E normalmente quem anda a mil sou eu. Mas não ao fim de semana… O João vem na minha direcção, com um olhar malicioso e aposto que sei o que me vai perguntar.
- Olá miúda! Então, chegaste ao mesmo tempo que o Ricardo? Vieram juntos? - (piscar de olhos…).
- Não, João, não viemos juntos. E chega dessa conversa, que já me estás a chatear!
- Mau-feitio!
Pronto, já respondi mal ao namorado da Inês. Vou ter de lhe pedir desculpa.
Finalmente, chegam a Sofia e o Manel.
O jantar foi animadíssimo e saímos todos muito bem dispostos. Só eu estava relutante em ir para casa. Ultimamente, a ideia de adormecer deixa-me angustiada. Talvez por causa do pesadelo que assombra constantemente as minhas noites. Enquanto caminho até ao carro, penso nas coisas que tenho de fazer amanhã. Nada de mais. A não ser, claro, a saída à noite com os Miguéis.
Entro em casa e a primeira coisa que faço é mudar o caderno de lugar. Sinto vontade de escrever nele, mas tenho os pensamentos desorganizados. Oiço o aviso de mensagem escrita no telefone. É a Sofia.

“Gostámos muito do jantar. Mas achei-te tensa agora no fim… estás bem?”

Respondo que sim. E estou. Mas alguma coisa me deixa inquieta e não percebo bem o que.
Ligo o computador e escrevo de uma assentada a crónica da próxima semana. Sobre o novo restaurante onde fui hoje.
Já passa das 3 da manhã quando, exausta, me deito na cama. Adormeço quase imediatamente.


Por mais que corra, sinto que não vou conseguir escapar. Eu fujo, mas estou quase a ser apanhada por aquilo de que tenho medo. Estou aterrorizada e não tenho coragem de olhar para trás. Estou quase a ser apanhada. É agora. Vai tocar-me. Grito de desespero e medo.
Acordei a gritar. Em pânico, sento-me na cama e tento pensar que é só um pesadelo, que não está a acontecer. Mas não consigo. Estou a tremer de medo e a chorar. Está aqui, pensei eu. Está no meu quarto.
Uns segundos mais tarde, consigo finalmente acalmar-me e levanto-me para ir a casa de banho. Vejo-me ao espelho e percebo que tenho os olhos esbugalhados. Mas o que será que me mete tanto medo. Não consigo lembrar-me de quase nada, mas acordo assim, com terror de alguma coisa da qual fujo.
Tenho medo de noite, agora. Parece que já dormi demais e ainda só são 5 da manhã. Falta tanto para amanhecer… queria que a noite acabasse depressa para não ter mais pesadelos. Deito-me de novo, e ao fim de algum tempo adormeço, emocionalmente esgotada.
Mais uma vez sou acordada pelo telefone, mas cancelo a chamada sem ver quem é. O meu telefona toca incessantemente todo o dia, todos os dias. Levanto-me e arrasto-me para o duche a pensar nas compras que preciso de fazer. Quando acabo de me arranjar o telefone toca de novo.
- Maria, toca a levantar! Tenho uma coisa gira para fazermos hoje. Vamos passear. Eu, o João e tu!
- Onde?
- A Sintra! Vamos comer uns bolinhos e ver museus. Às duas em minha casa!
- Está bem. Mas não quero vir tarde porque tenho coisas combinadas à noite.
- Com quem?
- Oh Inês! Disse-te ontem. Vou encontrar-me com os Miguéis, o Esteves e o Santos. Aqueles meus colegas de curso.
- Já me lembro. Bem, mas não te preocupes porque nós também temos um jantar em casa de uns amigos do João e também tenho coisas a fazer antes de ir. Quero levar uma sobremesa e umas entradas.
A Inês e as coisinhas caseiras dela. Tem um ar maternal e gosta de fazer estes mimos às pessoas. Tenho a sensação que nasceu para o papel de esposa e mãe dedicada. E não vê, secretamente, a hora desse dia chegar.Enquanto me arranjava, lembrei-me, sem perceber por que processo mental, do Gonçalo. Um episódio que ajuda ainda mais à minha dificuldade em compreender desaparecimentos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Dois - A Sombra

Estou a correr, a fugir de alguma coisa que não distingo. Mas corro sem olhar para trás, angustiada com os passos que oiço atrás de mim. Não sei o que é, mas a ideia de olhar aterra-me ainda mais. Prefiro não saber. Oiço uma música electrónica estranha e demoro a perceber o que é. O som torna-se mais alto e percebo que é o toque do telefone. Acordo e olho para a mesa de cabeceira. O meu telefone está a tocar e gira sobre o tampo, com a vibração.
- Sim? – tento parecer o mais acordada possível. Nem sei que horas são.
- Maria, estavas a dormir? Desculpa. Queres que ligue mais logo?
- Não querida. Diz. Passa-se alguma coisa? – a minha voz é transparente para a Inês, que tão bem me conhece.
- Não se passa nada. Eu é que já estou a mil e não me lembrei dos teus horários. Mas agora que te acordei, toca a levantar! Está um dia lindo. Tinha pensado em fazer um jantar amanhã à noite. Tinha pensado em irmos todos: a Sofia e o Manel, eu e o João, tu e o Ricardo…
- Eu conheço esse tom de voz, Inês! Já estás outra vez com ideias de me juntar com o Ricardo? Depois vou ter que te ouvir a noite toda a fazer o arranjinho. A ti e ao espertinho do João!
- Não te zangues. O Ricardo gosta tanto de ti! Porque não vais tomar um café com ele. Ele ia adorar.
- Ai, que chata que tu és! Falas tanto logo de manhã e dizes tantos disparates… Já te disse que gosto muito do Ricardo. Mas não assim. E quanto mais tu e o teu querido me chateiam, mais me apetece mandar-vos dar uma volta!
- Pronto, pronto, não te zangues. Mas olha que vocês se dão muito bem.
- Inês! A que horas é o jantar? E onde?
- Nove horas. Vamos àquele sítio novo de te falei a semana passada. Sabes? De inspiração oriental. Tens a morada, certo?
- Certo. Nove horas lá, então. Beijo.
- Até amanhã, resmungona!
Mais um restaurante de inspiração oriental. Não me deve servir de muita inspiração para o trabalho. Hoje tenho de passar na redacção. Devem esperar-me mais uns quantos convites para inaugurações de restaurantes ou empresas de catering. E o director, que a esta altura me vai perguntar pela próxima crónica.
Recordo-me do pesadelo do qual a Inês me despertou e senti um nó no estômago. De que fugia eu? Há semanas que este pesadelo me atormenta e desgasta. E quando acordo fica a sensação de que se olhar para trás, algo de terrível acontece.
Decidida a esquecer o pesadelo, levanto-me de um pulo e dirijo-me a casa de banho. Olho o meu rosto, longamente, no espelho. Estou com um ar esgotado. Depois de um duche revigorante corro de novo para o quarto para atender o telefone. Nem por acaso, é o director.
- Está sim?
- Maria, bons dias! Como está a melhor cozinheira de Lisboa?
- Olá António, bom dia. Aconteceu alguma coisa?
- Nada, nada. Estava só a pensar se hoje vamos ter o prazer de a ver na redacção. A sua secretária está cheia de correio. E estamos ansiosos para saber novidades.
- Novidades? Ah, a nova crónica. Sim, António, não se preocupe. Estou a tratar disso. Na sexta-feira vou a um novo restaurante de inspiração oriental que me parece muito bom.
- Sim, claro. Não estou nada preocupado. Já sei que nos vai fazer uma belíssima descrição do espaço e dos sabores. E vai sozinha?
- Vou com uns amigos.
- Que pena. Quer dizer, se fosse sozinha eu não me importava de lhe fazer companhia.
Pois claro que não…
- Oh António, obrigada. Mas de facto ainda há pouco uma amiga me ligou a confirmar.
- Talvez numa próxima ocasião.
- Talvez.
- Então, diz-me que hoje vai passar pela redacção?
- Sim, vou. Ver o correio e os colegas.
- E o director!
- Claro, António. A si também. Não se preocupe. Falamos mais logo.
- Assim sendo, até logo.
Não se importava de me fazer companhia. O António não perde uma oportunidade de me mostrar que gostava de sair comigo. Não há paciência, às vezes. Bem, tomo um café logo à tarde com ele, para ver se acalma os ânimos.
Entro no closet e decido o que vou vestir. O pesadelo já não me assombra, nem a conversa da Inês, que tenta à viva força fazer-me arranjinhos com o Ricardo. Conheci o Ricardo num jantar muito animado em casa da Inês. E desde essa altura que a minha amiga e o namorado mandam bocas constantes acerca dele. Gosto muito do Ricardo. É divertido, simples, simpático e uma boa companhia para os copos, petiscos e gargalhadas. Ponto. Há meses que os meus amigos me dizem para começar a sair com alguém, que devia arranjar um namorado, bla, bla, bla… A verdade é que há muitos meses que não tenho nenhuma relação estável. De facto, há meses que não tenho relação nenhuma. Mas já cheguei ao ponto em que isso não me angustia. Não estou à procura de namorado nenhum e não preciso de ninguém.
Bastante mal disposta, saio de casa e dirijo-me ao café do costume. O senhor Abílio olhou para a minha cara e já percebeu que hoje não estou para grandes conversas. Assim que me sento ao balcão, já o meu café está a sair. Assim que me vê chegar, tira uma chávena do frigorífico e tira o meu primeiro de muitos cafés.
- Bom dia menina Maria. Hoje vem com um ar cansado.
- Acha? Dormi mal.
- Sorria! Fica mais bonita. Já viu quem ali está?
Olho para trás e já sei o que o senhor Abílio me vai dizer…
- Hoje está cá o enfermeiro. Todos os dias ele vinha mais ou menos à mesma hora. E desde que a viu aqui a primeira vez, mudou a hora e aparece mais tarde.
- Não se ponha com ideias e deixe lá o rapaz.
Até o senhor Abílio parece achar que preciso de um namorado. Faço um sorriso amarelo indisfarçável e deixo o dinheiro em cima do balcão.
Desço a rua, irritada com a conspiração dos meus amigos armados em Cupido, e entro no carro. Vejo que tenho um papel no pára-brisas e fico ainda mais irritada. Se há coisa que odeio é que me deixem publicidade. Volto a sair do carro e percebo que há uma coisa que me chateia mais que a publicidade: multas de estacionamento. Pelo menos esta é da polícia. E não dos parasitas que infestaram a cidade ilegitimamente. Esta pago porque eles têm toda a razão.
Conduzo, como sempre, a uma velocidade louca e num instante chego à redacção. Contrariada, muito contrariada, lá deixo umas moedas no parquímetro.
Cruzo-me com a Sofia no elevador, que vai a caminho de uma reunião. Conheci a Sofia aqui no trabalho. E a empatia mútua foi imediata. Hoje somos inseparáveis, como irmãs. Sendo que ela é a mana mais velha.
- Miúda, como estás?
- Sofia! Bem. E tu?
- Óptima! Estás com um ar cansado. Passa-se alguma coisa?
- Estou cansada. E muito irritada. A Inês e os arranjinhos dela. As investidas de quem nós sabemos logo a seguir. Os arranjinhos do senhor do café. Uma multa de estacionamento… Isto não está fácil hoje!
- Tem calma e inspira. Se te irritas baixas as tuas defesas. Bem, vou para a reunião. Vai ter com o António, que ainda não parou de falar em ti hoje. Parece que tem qualquer coisa importante para te dizer.
Rebolo os olhos e rimos as duas.
- Ai, que seca. Primeiro o correio. Já lá vou.
- Até já!
Passo pelo corredor e cumprimento os meus colegas com um desmaiado “bom dia”. As vantagens de ser expressiva é que todos percebem que hoje não estou nos meus dias e não estou para grandes conversas.
A minha secretária é o caos. Pilhas de papéis do lado direito. Outros tantos do lado esquerdo. Cheia de livros que me oferecem. Ao centro, à frente do monitor, está a correspondência. Convites e mais convites. Um postal para levantar uma encomenda nos Correios, que já não me lembro o que é. No monitor, post-its com recados. No teclado, um cartão do António.

“Abres o correio depois. Estou no meu gabinete. Agora, Maria!”

O homem adivinha os meus pensamentos com certeza.
- Olá António.
- Maria, como estás? Desde há pouco…
- Irritada. Aliás, genuinamente mal disposta. Queria falar comigo? Vai-me dar uma descasca?
- Que ideia Maria! Não me dá motivos para isso. Mas preciso de falar consigo. Almoçamos?
Lá está ele. Bem, tenho de ir. Parece importante.
- Sim, claro. A que horas?
- Daqui a uma hora passo pela tua sala.
Pelo menos está bem disposto. Era só o que me faltava era ouvir o António a dizer que algum restaurante não tinha gostado da minha crítica. Oiço muitas vezes que sou bruta e arrogante. Quando não gosto de uma coisa, não gosto mesmo.
Ligo o computador e abro a página do e-mail. O Miguel está on-line, que bom. Enquanto vou abrindo as cartas, falo com o Miguel no chat.Conheci o Miguel Esteves na faculdade. Fomos colegas de curso, mas não da mesma turma. Nem do mesmo ano. Foi das primeiras pessoas que conheci na faculdade e das poucas com quem ainda tenho algum contacto. Falamos muitas vezes no chat e já pensámos em ir tomar um café. E claro, combinámos também com o Miguel Santos, o amigo inseparável do Esteves. Ficou marcado para sábado. Uma sessão de copos no Bairro Alto com os dois Miguéis.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Um abraço

Olha para o rio e inspira. Vais perceber que não estás só.

Obrigada, mais uma vez.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Um - A lua

Pareceu-me a coisa mais acertada que tinha de fazer. Ainda parece. E está cada vez mais claro na minha mente que é isto mesmo que eu quero. Ainda não percebi muito bem porquê, mas sei que é por aqui.
Há muitos dias que não consigo escrever uma linha e já tenho o director da revista à perna. Por mais que estique os prazos e escreva no limite do tempo, sob pressão, consigo sempre escrever um artigo. Mas desta vez… estou bloqueada. Uma linha vertical pisca incessantemente no ecrã onde parei a última frase. Sempre achei fácil escrever sobre culinária. Descrever os aromas, os sabores, as sensações de um estaladiço voul-au-vent de legumes ou do aveludado bolo de chocolate. Este fim de semana enchi o carrinho de supermercado e fiz experiências culinárias em casa. Fiz todas as refeições fora, em bons restaurantes. Pesquisei novos lugares e novas receitas. E nem uma linha até agora. Ainda tenho uma semana, mas é estranho não conseguir escrever nada.
E, no entanto, sinto uma vontade imensa de escrever, escrever, sem parar. Mas não sobre trabalho. Não sobre o novo restaurante de fusão ou sobre o sabor da sugestão do chef. Ontem ao final da tarde comprei um caderno em branco, com uma capa muito bonita, para servir de diário. Continua pousado em cima da chaise-longue, talvez para absorver a energia do sítio onde me estendo, com o sol a bater na cara, para escrever e pensar e chorar e estar comigo. E tem uma pose de provocação, como que a dizer para lhe pegar e começar a falar com ele.
Sinto o impulso de tocar naquele caríssimo caderno de capa dura e folhas vertiginosamente lisas e brancas. Estendo-me na minha chaise-longe, azul petróleo, e, com o caderno no colo, deixo-me afundar.
Quando abri os olhos, a primeira coisa que vi foi uma lua enorme e perfeita. Acordei cheia de frio e absolutamente desprovida de qualquer sentimento concreto. Percebo que nem jantei, mas pouco me preocupo com isso. Arrasto-me pela casa a fechar janelas e apagar luzes, dispo-me e meto-me na cama disposta a conciliar o sono interrompido pelo frio despertar. Mas o sono desapareceu. Dou voltas na cama, viro-me, rebolo, mas não encontro conforto de maneira nenhuma.
Então recorro ao velho truque de me virar de barriga para cima e ficar a pensar que não tenho sono e que posso passar toda a noite sem dormir. Normalmente resulta e adormeço ao fim de alguns minutos. Mas não esta noite. Alguma coisa me angustia profundamente e não consigo perceber o quê. Alguma coisa que me falta, ou que perdi.

Sempre a Mudança!

Mudei o título.
Agridoce fica para depois.
O título é aquilo que é mas não se vê.
A seu tempo...

Queres mais?

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Agridoce


Está para breve, para muito breve.
O próximo conto.

Re-encontrei


Ao fim de semanas.
Finalmente.
Senti o cheiro das castanhas assadas e a inspiração voltou.
E já percebi porquê.
Obrigada Mudança!

Numa floresta

Vou vingar-me.
Talvez.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Depois


Sem antes.
Sem depois.
Sem saber.
Sem dúvidas.
Sem dúvida.
Até.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Princesa Mimi



Princesa desse mundo só teu.
Agarraste a morte de frente e venceste.
Vi-te hoje de manhã.
Reconheci-te pelo balançar dos teus pequenos pés e pelo oscilar do teu frágil corpo contra a cadeirinha.
Levantaste a mão num gesto familiar, que tão bem conheci um dia.
Se fechar os olhos consigo sentir esse aroma que aspirava da tua nuca, entre o perfume, o teu cheiro e o dos medicamentos.
Era feliz nos instantes em que fazias o gesto que quer dizer “gosto de ti” e me apertavas com força no melhor abraço do mundo.
Das poucas palavras que dizias, tive a honra de ser o meu nome uma delas.
Vi-te crescer, lutar, vencer, rir, chorar. Ainda sei de cor a tua alegria, os teus medos, a tua rara angústia, o terror da noite, a calmaria da manhã, a tua inexplicável felicidade, o teu gostar.
Que dragões combates tu, à noite, quando acordas a chorar? Perguntei-me dezenas de vezes enquanto olhava para ti e sentia o teu respirar intranquilo.
Que coragem, ser pequenino, tens.
Tive vontade de sair do carro, gritar o teu nome, dar-te um xi-coração enorme e sentir mais uma vez o quanto me transformaste um dia.
Será que lembrarias de mim? Será que acordarias de novo a chamar por mim e a chorar cantando… “olha a bola, manel, olha a bola, manel…”. Fui embora. Fugi.
Tenho tantas saudades tuas.

É como devia ser?

See the animal in his cage that you built
Are you sure what side you're on?
Better not look him too closely in the eye
Are you sure what side of the glass you are on?
See the safety of the life you have built
Everything where it belongs
Feel the hollowness inside of your heart
And it's all
Right where it belongs
What if everything around you
Isn't quite as it seems?
What if all the world you think you know
Is an elaborate dream?
And if you look at your reflection
Is it all you want it to be?
What if you could look right through the cracks?
Would you find yourself
Find yourself afraid to see?
What if all the world's inside of your head
Just creations of your own?
Your devils and your gods
All the living and the dead
And you're really all alone?
You can live in this illusion
You can choose to believe
You keep looking but you can't find the woods
While you're hiding in the trees
What if everything around you
Isn't quite as it seems?
What if all the world you used to know
Is an elaborate dream?
And if you look at your reflection
Is it all you want it to be?
What if you could look right through the cracks
Would you find yourself
Find yourself afraid to see?
(Right where it belongs - NIN)

Sexta feira, eu


Calra tudo o que está à volta.
Para poder ouvir-me.
Obrigada "pagador de sonhos".

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Vingança

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?!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Bung, bung, bung, bung


Mr. Sandman, bring me a dream (bung, bung, bung, bung)
Make him the cutest that I've ever seen (bung, bung, bung, bung)
Give him two lips like roses and clover (bung, bung, bung, bung)
Then tell him that his lonesome nights are over.
Sandman, I'm so alone
Don't have nobody to call my own
Please turn on your magic beam
Mr. Sandman, bring me a dream.
Mr. Sandman, bring me a dream
Make him the cutest that I've ever seen
Give him the word that I'm not a rover
Then tell him that his lonesome nights are over.
Sandman, I'm so alone
Don't have nobody to call my own
Please turn on your magic beam
Mr. Sandman, bring me a dream.
Mr. Sandman bring us a dream
Give him a pair of eyes with a “come-hither” gleam
Give him a lonely heart like Pagliacci
And lots of wavy hair like Liberace
Mr Sandman, someone to hold (someone to hold)
Would be so peachy before we're too old
So please turn on your magic beam
Mr Sandman, bring us, please, please, please
Mr Sandman, bring us a dream.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Feliz Aniversário Pata Pardaleca!



Porque hoje é um dia especial para comemorar. E porque sempre que oiço esta música me lembro das pessoas que quero ter sempre comigo. Porque é preciso celebrar cada dia em que elas nos presenteiam com a sua amizade, alegria, carinho, cumplicidade, estima, preocupação, sorrisos, confissões, e todas as outras coisas que fazemos que te tornam tão única e especial. Minha querida gema preciosa. O sorriso contagiante em que penso se alguma coisa corre mal.



Esta é só uma noite para partilhar
qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
um lugar a salvo
Parou de correr
Quando nada bate certo
E se fica a céu aberto
Sem saber o que fazer

Esta é uma noite para comemorar
Qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
um lugar para nós
onde demorar
Quando nada faz sentido
E se fica mais perdido
e se anseia pelo abraço de um amigo

Esta é só uma noite para me vingar
do que a vida foi fazendo sem nos avisar
foi-se acumulando em fotografias
em distâncias e saudades
Numa dor que nunca acaba
e faz transbordar os dias

Esta é uma noite para me lembrar
Que há qualquer coisa infinita como um firmamento
Um sorriso, um abraço
Que transcende o tempo
e ter medo como dantes
de acordar a meio da noite
a precisar de um regaço

Esta é só uma noite para partilhar
Qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro
Um lugar a salvo
Parou de correr
Quando nada bate certo
E se fica a céu aberto
Sem saber o que fazer

Esta é uma noite para comemorar
Qualquer coisa que ainda podemos salvar do tempo
Um lugar para nós
Onde demorar
Quando nada faz sentido
E se fica mais perdido
e se anseia pelo abraço de um amigo

(Mafalda Veiga)



Ratazana, que já me fizeste chorar hoje!

sábado, 13 de outubro de 2007

om mani padme hum


Ganhei.

Aparição


Ave Maria

Gratia plena

Dominus tecum.

Benedicta tu in mulieribus

et benedictus fructus

ventris tui, Jesus.

Sancta Maria

Mater Dei,

ora pro nobis, peccatoribus,

nunc et in hora

mortis nostræ.

Amen.




sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Expiação



Porque as cotas de malha e os escudos de aço apenas nos protegem de investidas físicas.
Porque as espadas e baionetas ferem apenas carne.
Porque o conflito armado apenas esconde medos e inseguranças.
Porque as armas apenas nos despedaçam os membros e provocam agonias corporais.
Despida.
Segura.
Nua.
Desarmada.
Destituída.
Serena.
Despojada.
Com farrapos de nuvem nos cabelos.
Livre.
Vitoriosa.

Vais morrer.

Amanhã.

Nódoas


O nevoeiro purificador.
Entrar com sedas e damascos pútridos de humanidade. Correr por entra a neblina, sem rumo, sem rasto, sem nome, sem cor, sem som. Cheia de nódoas.
Para sair do outro lado, nua e limpa.
Agora sim, sem nódoas.
Porque no melhor pano caem todas as nódoas. Porque é no branco imaculado e puro que toda o descuido e podridão se manifestam.
E na simplicidade da chita, que não nos esforçamos para salvaguardar de nódoas, mesmo as que caem são laváveis.
A organza transforma-se em farrapo ao primeiro salpico.
Prefiro a chita. Prefiro as nódoas. São honestas.
Estou.
Despida.
E sem nódoas.
Ainda com farrapos de nuvem que se desprendem dos meus cabelos.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Alcácer-Quibir




Eles não morreram.
Fugiram de medo. E atrevem-se a sair como heróis!
E depois assombram-nos para se certificarem que ainda acreditamos neles.
Que fado, que sina...

Laurinda, 1408?



E vais pagar por esta!